QuímInova
  • O que é patente?


    O que é patente?

    De acordo com o INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial):

    “Patente é um título de propriedade temporária sobre uma invenção ou modelo de utilidade, outorgado pelo Estado aos inventores ou autores ou outras pessoas físicas ou jurídicas detentoras de direitos sobre a criação. Com este direito, o inventor ou o detentor da patente tem o direito de impedir terceiros, sem o seu consentimento, de produzir, usar, colocar a venda, vender ou importar produto objeto de sua patente e/ ou processo ou produto obtido diretamente por processo por ele patenteado. Em contrapartida, o inventor se obriga a revelar detalhadamente todo o conteúdo técnico da matéria protegida pela patente.”

    fonte: gov.br/inpi/pt-br/acesso-a-informacao/perguntas-frequentes/patentes


    O que é uma invenção?

    Organização Mundial de Propriedade Industrial – OMPI
    Define a invenção como:

    “Um produto ou um processo que oferece uma nova maneira de fazer algo ou apresenta uma nova solução técnica para um problema, superando soluções triviais.”

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  • A primeira patente verde do Brasil

     

    Em 2012, o Brasil concedeu sua primeira Patente Verde, reconhecendo uma tecnologia nacional inovadora no tratamento de resíduos: o processo Vorax – UTR DuoTherm, desenvolvido pela empresa Solum Ambiental.

    Essa tecnologia patenteada utiliza um sistema de gaseificação com gradiente térmico, no qual duas fontes de calor, operando a 900°C e 1600°C, desintegram completamente os resíduos sólidos. Durante o processo, o lixo é convertido principalmente em gases tratados, restando apenas uma pequena fração de resíduos sólidos secos e inertes. A redução do lixo é de até 90% em massa e até 200 vezes em volume, tornando o processo altamente eficiente.

    Além de eficiente, o sistema é sustentável: o controle das temperaturas e a baixa presença de oxigênio impedem a formação de poluentes tóxicos como dioxinas e furanos, comuns em métodos tradicionais de incineração. O tratamento dos gases ocorre em filtros modernos e lavadores secos, assegurando emissões limpas e dentro das normas ambientais.

    De fácil operação e baixo consumo energético, a tecnologia pode ser aplicada em diversos locais, como hospitais, indústrias, navios e áreas urbanas, contribuindo de forma concreta para a redução de resíduos e proteção ambiental. A concessão desta patente inaugurou o programa Patentes Verdes no Brasil, para estimular invenções que tragam benefícios ambientais e ajudem na transição para uma economia mais sustentável.

    Figura 1 – Máquina Vorax da Solum Ambiental.
    Fonte: Solum Ambiental.

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  • Patente – Fármacos

    Química dos fármacos

    A química dos fármacos é uma área essencial que conecta os conhecimentos da química orgânica, bioquímica e farmacologia com o objetivo de compreender e aprimorar substâncias com atividade terapêutica, promovendo saúde, aliviando dores, tratamento de infecções e controle de doenças crônicas.

    Devido ao desenvolvimento de medicamentos, doenças que antes eram fatais podem, hoje, ser controladas ou curadas, aumentando a qualidade e expectativa de vida da população. O aperfeiçoamento destes compostos envolve a compreensão de como essas moléculas se comportam em nível molecular – como são absorvidas, distribuídas, metabolizadas e excretadas no organismo.

     

    Estrutura dos fármacos

    Os fármacos são compostos químicos, geralmente orgânicos, cujas estruturas moleculares são projetadas para interagir com alvos biológicos específicos, como enzimas ou receptores celulares. Propriedades, como físico-químicas – polaridade, solubilidade, acidez/basicidade e estereoquímica – influenciam na sua absorção, distribuição, metabolismo e excreção no organismo.

    Os grupos funcionais conhecidos da química orgânica são comuns em fármacos, esses grupos interferem na reatividade química e na afinidade do fármaco com os alvos biológicos.

    Exemplos e seus usos:

    • Aminas: antidepressivos
    • Álcoois e fenóis: analgésicos
    • Ésteres e amidas: anestésicos
    • Ácidos carboxílicos: analgésicos e antibióticos
    • Halogênios: ajuste lipofílico do fármaco

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  • A Primeira Patente Universitária Brasileira

    A primeira patente universitária brasileira

    A trajetória da propriedade intelectual no Brasil percorreu um longo caminho até se consolidar no ambiente universitário. Ao longo de grande parte do século XX, a produção científica nacional apresentou crescimento expressivo, porém raramente se convertia em inovações tecnológicas protegidas por patentes. A cultura acadêmica estava fortemente orientada à publicação científica e à formação de recursos humanos, enquanto a proteção do conhecimento e a transferência de tecnologia ocupavam um papel secundário.

    Esse cenário começou a se transformar a partir das décadas de 1970 e 1980, quando algumas instituições públicas de ensino e pesquisa passaram a reconhecer a propriedade intelectual como um instrumento estratégico para o desenvolvimento científico, econômico e social. Foi nesse contexto que, em 1979, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) protagonizou um marco histórico ao depositar a primeira patente registrada por uma universidade brasileira, intitulada “Processo aperfeiçoado para reduzir o peso molecular de elastômeros”. O pedido foi desenvolvido no Instituto de Macromoléculas (IMA/UFRJ), sob a coordenação da professora Eloisa Biasotto Mano, referência nacional e internacional na área de polímeros.

    Pioneira em um campo ainda incipiente no Brasil, Eloisa Biasotto Mano desempenhou papel fundamental na introdução dos estudos de macromoléculas e da ciência dos polímeros no país. Sua trajetória é marcada por conquistas notáveis, como o título de primeira mulher doutora em Química pela UFRJ, a fundação da Sociedade Brasileira de Polímeros (SBPol) e uma atuação constante em defesa da integração entre pesquisa científica e aplicação industrial.

     

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  • Patente – Cosméticos

    Histórico dos cosméticos

     

    Desde a pré-história, homens e mulheres já utilizavam pigmentos naturais com as finalidades de camuflagem, proteção ou ritual. No entanto, foi no Egito Antigo que os cosméticos se estabeleceram como parte dos cuidados pessoais e da estética, com registros do uso de kohl – substância usada como delineador para os olhos – óleos, unguentos – tipo de creme à base de gordura usado para tratar e proteger a pele – e maquiagem, com finalidades protetoras e simbólicas.

    As civilizações da Grécia e Roma herdaram e refinaram esse costume, incorporando óleos perfumados, esfoliantes e loções em rituais de higiene e beleza. Na Idade Média, os cuidados com o corpo entraram em declínio na Europa, enquanto regiões árabes e orientais aperfeiçoaram esses cosméticos. A época do Renascimento marca o retorno dos cosméticos ao cotidiano europeu, com a França e a Itália como centros de inovação.

    Durante os séculos XVII e XVIII, o uso de cosméticos se tornou abundante entre a nobreza. Foi apenas a partir do século XIX, com o avanço da química e da indústria, que os cosméticos começaram a ser produzidos com intuito comercial e científico. A evolução tecnológica permitiu o surgimento de produtos mais eficazes e seguros, abrindo caminho para a era das patentes cosméticas.

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  • Patente de Medicamentos – Brasil

    Patente de medicamentos no Brasil

    No Brasil, onde a saúde é um direito garantido constitucionalmente, o sistema de patentes de medicamentos apresenta particularidades e controvérsias. As patentes têm a função de proteger a inovação tecnológica, mas, ao mesmo tempo, podem dificultar o acesso da população a tratamentos essenciais. Essa tensão entre incentivo à inovação e interesse público marca a trajetória histórica da proteção patentária de medicamentos no país.


    As primeiras leis de patente no Brasil

    A proteção patentária no Brasil teve início com o Alvará de 1809, que concedia privilégios temporários a inventores. Contudo, foi apenas em 1830 que o país estabeleceu regras mais estruturadas para a concessão de patentes, já demonstrando uma preocupação específica com os medicamentos, ao exigir exame técnico prévio para patentes nessa área.

    Durante grande parte do século XX, a legislação brasileira excluiu explicitamente os produtos farmacêuticos da lista de itens patenteáveis. Essa exclusão baseava-se no entendimento de que o acesso a medicamentos não deveria ser limitado por interesses comerciais. Esse posicionamento começou a ser revisto apenas a partir da década de 1990, em função de mudanças no cenário internacional.
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  • Patente de Medicamentos

    Pílulas escocesas de Anderson As Pílulas Escocesas de Anderson foram um dos primeiros medicamentos a receber patente na Inglaterra, com origem na década de 1630. Seu inventor, Patrick Anderson, um escocês que afirmava ser médico do rei Carlos I, desenvolveu a fórmula com base na “Grana Angélica”, uma pílula cuja receita ele dizia ter aprendido em Veneza. Antes de morrer, Anderson transmitiu o segredo da fórmula à sua filha Katherine, que, em 1686, o repassou ao médico Thomas Weir, de Edimburgo, capital da Escócia.

    Em 1687, Weir obteve do então rei da Inglaterra, Jaime II, uma carta-patente que lhe concedia direitos exclusivos da produção das pílulas. Não se sabe ao certo se a patente foi solicitada para se proteger da concorrência já existente ou se, ao contrário, acabou atraindo o interesse de imitadores. De todo modo, no final do século XVII, se iniciou uma intensa disputa entre diversos fabricantes que reivindicavam a fórmula das “verdadeiras” Pílulas de Anderson.

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  • Patentes Femininas

    A história das patentes femininas é marcada por uma combinação de invisibilização, barreiras legais e exclusão sistemática. Embora mulheres tenham contribuído, significativamente, com inovações ao longo da história, suas criações raramente foram formalmente reconhecidas. Um exemplo emblemático é o de Sybilla Masters, que desenvolveu em 1715 um novo método de moagem de milho. No entanto, devido às leis britânicas da época, que não permitiam que mulheres casadas detivessem propriedade legal, a patente foi registrada em nome de seu marido, Thomas Masters.

    Foi apenas em 1809 que uma mulher obteve uma patente em seu próprio nome nos Estados Unidos: Mary Dixon Kies, pela invenção de uma técnica para trançar palha com seda. Apesar da importância histórica desse marco, é fundamental destacar que as invenções femininas concentravam-se majoritariamente no espaço doméstico, não por limitações criativas, mas por restrições de acesso à educação técnica, redes profissionais, recursos financeiros e direitos legais.

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  • Patentes Verdes: Inovação e Sustentabilidade na Propriedade Intelectual

    O Programa Patentes Verdes, criado pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), foi desenvolvido para ajudar no combate às mudanças climáticas. Ele acelera a análise de patentes de tecnologias que contribuem para a preservação do meio ambiente. Assim, essas inovações podem chegar mais rápido ao mercado, sendo utilizadas pela sociedade e incentivando o desenvolvimento de novas soluções sustentáveis no país.

    O programa piloto teve início em 17 de abril de 2012, com sua terceira fase encerrada em 16 de abril de 2016. A partir de 6 de dezembro de 2016, o exame prioritário de tecnologias verdes passou a ser oferecido como um serviço permanente pelo INPI.

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  • A primeira patente brasileira!

    A Constituição de 1824 foi uma marco importante para a proteção da propriedade intelectual no Brasil, ao garantir aos inventores o direito sobre as suas criações. No entanto, foi com a promulgação da primeira lei de patentes, em 28 de agosto de 1830, que esses direitos passaram a ser regulamentados em um sistema estruturado legalmente. Esse período marca os primeiros anos do Brasil independente de Portugal.

    Antes dessa regulamentação, existia no Brasil um sistema de ‘’privilégios de invenção’’, se trata de direitos concedidos diretamente pelo soberano ou pelo governo, reconhecendo a originalidade de uma invenção e permitindo ao autor a exclusividade de exploração econômica por um tempo determinado.

    Um exemplo é a máquina de descascar café, muitas vezes confundida com a primeira patente brasileira, mas que, foi um privilégio real, e não uma patente legal.

    A primeira patente brasileira legalmente registrada foi concedida a Carlos Alberto Sodré Bertram, em 1830. Sua inovação se compõem por um alambique de destilação a vapor com aquecimento por fogo direto, o que representa, também, a primeira patente relacionada à área de química.

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  • Primeira Patente em Química

    A primeira patente relacionada à química foi registrada na Inglaterra em 1449 e concedida a John Utynam, reconhecendo seu conhecimento na fabricação de vitrais coloridos. Essa patente, que na época era emitida como uma carta real, foi concedida pelo rei Henrique VI e permitia a Utynam não apenas produzir vitrais, mas também ensinar essa arte. A concessão foi feita especificamente para a produção de vitrais destinados ao Eton College, instituição fundada em 1441 pelo próprio rei. A patente incluía ainda algumas regras específicas, como a exigência de que o desenvolvimento do vidro ocorresse exclusivamente em Murano — uma cidade próxima a Veneza, famosa por sua tradição na fabricação de vidro, que remonta a mais de 25 séculos.



    Figura I – Carta Patente do Rei Henrique VI para John Utynam, conforme apresentada no Calendar of the Patent Rolls preservado no Public Record Office
    Figura II – Tradução da Carta Patente do Rei Henrique VI para John Utynam, conforme apresentada no Calendar of the Patent Rolls preservado no Public Record Office.

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